Botecos com ovo colorido – Tosco, simples, barato e sempre uma aventura

Esse será um conto de boteco e não uma indicação. Houve um dia que um amigo (Carlos) me ligou e desejava sair e bater um papo de boa e sem dramas (já basta os desabafos com o Luis e com o Fernando). No meio do caminho, a Valéria, uma amiga de um antigo emprego do Carlos, ligou e nos convenceu a ir a um boteco que a família dela frequenta. Aceitei ir e fiquei imaginado uma família meio maluca. Deparei-me com o clássico boteco com ovo colorido e uma churrasqueira na frente perto da ponte da Casa Verde. Fazia tempo que não adentrava em locais do tipo (exceto em jogos universitários, mas é um universo paralelo).

 

A família realmente era muito gente boa. Ao chegar, o pai nos ofereceu uma dose de Campari puro e cowboy (sem gelo). O Carlos fez puta cara feia no primeiro gole. Eu não tomava isso há mais de 10 anos, relembrei a razão e entendi o motivo de todos os figurantes do comercial começarem a jogar a bebida uns nos outros (mesmo quem estava de vermelho). Logo depois, veio um lombo assado cortado fininho ao vinagrete e o churrasco (de gato?). O Carlos literalmente limpou as tigelas com o pão. Digamos que eu já havia jantado. Enquanto isso, um red label apareceu do nada na minha frente.

 

A ala jovem da família e o João, namorado da Valéria, nos propuseram um desafio: conhecer o Pântano. Basicamente, é boteco com karaokê que recebeu esse apelido pelas criaturas que abriga. Ao entrar no recinto, praticamente sofri desidratação instantânea por parte das mulheres e fui morto por muitos caras. Além de bem vestido (fora o 1,92 m, olhos claros e levemente albino. huauhahua), era a pessoa mais jovem do local. Particularmente, acho que ali é o reduto dos velhos tarados do bairro e putas velhas (desculpa, não tem outra expressão). Havia uma única gatinha, que o coitado do namorado abraçava muito forte. Era aniversário de alguém da família da menina (gosto não se discute) e o infeliz teve que cumprir o papel de bom namorado indo naquele lugar.

 

Havia outra aniversariante que fizeram subir no palquinho, segurar uma espécie de mastro com uma vela de 7 dias (já usada) na ponta. Para isso, ela foi chamada pelo dono do bar com voz de locutor de puteiro (sem pudores) e ficou estática durante quase 4 minutos olhando para todos tendo a música “parabéns pra você” remixada ao fundo (não dá pra descrever).

 

A forma de conseguir cerveja também era um tanto quanto inusitada. O único garçom, o Zé, dava conta de umas 60 pessoas fácil. Pra fazer o pedido era só gritar histericamente “Zéééééééé”. Ah, ele também nos atendia mais rapidamente que os outros. Se o cara demorasse, o João (sempre vai lá) dava uma bela de uma passada de mão na bunda (nunca entendi essa brincadeira) do coitado que se matava pra equilibrar as garrafas de cerveja e desviar da joselitagem.

 

Para minha alegria, ninguém cantou Calypso (e nenhuma música que eu conhecia) e a galera com quem estava desistiu quando soube que o valor do karaokê era R$ 5 por pessoa. A noite gerou celebridades como a versão feminina do Caubi Peixoto e a Bruxa do 71 (Chaves) com chapinha e cabelo oxigenado. Enfim, eu gastei R$ 10 na noite e ri muito. Obviamente que não é um lugar que indicaria, basta olhar todos os lugares já visitados pelos Botequeiros.

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Posted on 06/02/2009, in Contos do pau d´água, Todas and tagged , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. 1 Comentário.

  1. Só mesmo o Carlão pra conhecer esses becos hein… hahaha

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