Charles Bukowski, o pai dos botequeiros

Amigos botequeiros,

 

Hoje não vou falar de bar, de HPV e da Lei Seca. Nem de bolovo, croquete e ré no kibe. Hoje vou falar de poesia e literatura. Antes de irem embora, apagando a luz e me xingando, acho que vocês devem prestar atenção nesse autor, responsável por muitas crônicas de whiskey, mulheres tercerizadas e tristeza. Hoje vamos falar de Bukowski.

 

Bukowski nasceu em 1920 na Alemanha, porém se mudou para os Estados Unidos quando era criança. Viveu o período mais “america way of life” que existiu, com rapazes de sorrisos brancos paquerando mulheres de saia rodada em lanchonetes, tomando milk-shake e se agarrando nos carros com medo que alguém visse. Enquanto o presidente Kennedy sorria, a hipocrisia se alastrava: em um mundo dividido entre socialistas e capitalistas, os jovens estavam perdidos, vivendo um outro mundo as escondidas. Bukowski fugiu do sistema shine-happy-people-holding-hands e escreveu sobre aquilo que vivia, mostrando o lado underground da vida. Alcóolatra confesso, seus contos versavam sobre bebedeiras, meretrizes e tudo mais de grotesco que acontecia no lado pobre da América.

 

O melhor do Bukowski, na minha opinião, é a maneira de descrever o que é podre. Você pode ser grosseiro e óbvio, como acontece na maioria dos casos, mas você pode ser mais poético e dar algum sentido para tudo aquilo. Falar de bebedeira é difícil: você pode acabar esculhambando (como eu faço em 90% dos meus textos), mas você pode fazer de um porre uma história, quase fantástica, com críticas e momentos lindos.

 

Quando li a primeira vez, na hora me veio na cabeça o final do Clube da Luta: como uma cena nojenta (porra, o cara acaba de estourar os miolos) pode ser tão linda ao mesmo tempo. Mas não vá pensando que vai ser só alegria, porque os textos são pesados. Torresminho style.

 

Bom, aconselho como primeira leitura o livro “Misto Quente”, clássico de 1982, que, para mim, foi o mais suave de ler.

 

 

Botequeiros, um incentivo à cultura. Sem apoio financeiro, mas beleza, vamos entrando no limite…

 

PS: Coloquei o link para a Pocket, pois acho o serviço deles fantástico: clássicos como esse, com preços bem abaixo e conteúdo integral.

 

*UPDATE: No próximo post de LOST: Feijão com Nutella tem seu meme atendido. Responderei ao “Qual é a músicammm” com a banda Smashing Pumpkins e finalmente meu rosto será revelado… Oh!

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About Pri

Natural de São Paulo e naturalmente morena, Priscilla Maria Da Graça Guxa Meneguel queria ser escritora, mas foi ser publicitária porque precisava pagar o aluguel. Abandonou a vida hippie e agora usa calça social. Ela bebe para esquecer e esquece quando bebe. Quando lembra, escreve para o botequeiros. Apesar de agora ser uma yuppie capitalista, ela se esconde e vai ler "A História da Riqueza dos Homens" ao som de Jeffersons Airplane, acreditando que um dia o mundo vai ser melhor, sem mover uma palha óbvio, pois ela acredita na força do pensamento. Ela entorta colheres aos fins de semana...

Posted on 06/08/2008, in Filosofia de Bar, Todas and tagged , , , , , , , , , , , , , , , , . Bookmark the permalink. 10 comentários.

  1. Eh!!!!!

    A Feijão vai ficar feliz com seu post… ainda mais depois de ser zoada no próprio blog…rs…

    Bjos,

    Nutella

    http://feijaocomnutella.wordpress.com

  2. Boa Luis!! Mas a gente já conhece o seu rosto, não tem graça… rs

    E Nutella, vc é mala. Hunf!

    Bjs,

    Feijão

  3. Feijão: striiiiiiiiike ONE!
    o post é da Pri!
    hahahahaha

    quero só ver se ela vai ter coragem de colocar a foto dela =P

  4. Mancada!! Por isso nos identificamos nos nossos comentários… para os outros não passarem esse carão! rs

    Feijão

  5. hahahaha
    mas logo abaixo do título dá pra ver quem postou o artigo! rs

  6. Buko, velho Buko!
    Dizem que meu pai era a cara dele, inclusive eu tenho um livro que minha mãe ganhou do Bukowski com a seguinte dedicatória: “Já somos parecidos, se vc me abandonar eu vou ficar igual”
    Bem, eu já tomo meu wiskie com água, só falta esperar o premio pullitzer (como se escreve essa merda msm?) o resto de minha vida.
    Gostei do blog, saudações dos filhos-da-puta do Freestyle Moustache!!!

  7. Rachel Juraski

    Ainda acho que a melhor compilação de textos ddo Bukowski é ‘Notas de um velho safado’. Dá pra ler várias vezes e curtir cada leitura por um motivo: ou pelo estilo original e cru, ou pelas hstórias pitorescas – e todas reais -, ou por aquele jeito velho-novo de ser do cara…

    Enfim, adoro.

    E como vc pronuncia Bukowski? Já ouvi das três maneiras (‘Bucáusqui’, ‘Bucóvisqui’ e ‘Bukóusqui’), mas ngm me informa qual o certo MESMO. Sigo preferindo o ‘Bucáusqui’.

    🙂

  8. Eu pronuncio “Bucóvisqui”! =D

  9. Lucas Alan Pinto

    Eu sempre pronunciei “Bucóvsqui”.
    Como ele era alemão, procurei qual é a pronúncia em alemão, e é esta mesma que eu uso:
    http://www.forvo.com/word/bukowski/

  10. Lucas Alan Pinto

    Só que o pai dele era americano, e não sei se o jeito certo de pronunciar é o americano ou o alemão.
    O jeito americano é o seu: “Bucáusqui”.
    Veja aqui:
    http://pt.forvo.com/word/charles_bukowski/

    Certamente o “Buk” é pronunciado igual à palavra “book”.

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